Éramos dois!

Então, éramos dois. Um casal.

Éramos?

Há uma ideia de que o casal que recebe em seu lar um filho, passar então a ser uma família. Antes do bebê, éramos um casal, agora somos uma família. E sendo assim, tudo muda.

Há vários estudos que afirmam que “a qualidade conjugal declina modestamente, mas seguramente, desde o período anterior até o posterior ao nascimento do primeiro filho. Este declínio é mais pronunciado para as mulheres do que para os homens. Aquelas famílias que experenciam mais satisfação conjugal antes do nascimento, experienciam mais satisfação conjugal depois do nascimento” (Belsky -1985).

O que podemos observar é que a intimidade do casal, é um fator fundamental nesta dinâmica e constitui uma resposta ao desafio da paternidade, integrar uma mudança permanente não só para os pais, para toda a rede familiar.

A intimidade é dar e receber, uma troca que cria o sentimento de pertencer a, e encoraja a continuidade. Sendo vista como uma energia sustentadora do ser humano através do tempo.

Com a chegada de um filho, toda a família avança um grau na sua escala parental. De filho passamos para pais, de pais para avós, de irmão para tio, e assim mudamos também os papéis que desempenhamos . Para alguns pode só significar uma mudança de nomenclatura do que uma mudança desenvolvimental ou até funcional.

Assim, a família ampliada deveria constituir recursos ativos para a nova família, criando disposição para ajudar. As vezes os avós tem dificuldade para aceitar o outro conjunto de avós como iguais. Muitos avós esperam que seu (sua) filho (a) tenha uma maior lealdade em relação a eles, do que a seu genro ou nora. Outros mantém o foco da atenção nas atividades dos netos, assim se afastam da depressão ou ansiedade que experienciam com o avanço da idade.

Se ambos trabalham e podem reorganizar seus horários para que cada um cuide da criança no contra turno, beneficia a criança que sempre estará sob o cuidado de seus pais, porém o casamento sofre, porque o contato marido e mulher fica diminuído.

Muitas variáveis poderiam afetar o movimento do casal, com a chegada de um bebê, e trabalhar o reequilíbrio das responsabilidades pelos filhos: o trabalho de quem vem em primeiro lugar?  As  necessidades de quem vem em primeiro lugar?

A habitual inflexibilidade dos empregadores, o sucesso no trabalho que é reservado para aqueles que se dedicam em tempo integral, entre outros motivos, tiram muitas vezes a possibilidade de negociações entre o casal, que acaba por ser desencorajado em responder de forma diferente aos tradicionais papéis da família.

Psic. Joseane Leal – CRP 08/12883

Psicóloga Sistêmica

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