Crianças com necessidades “especiais”

Como falar de criança especial? Se, ao pensarmos nelas, todas são especiais! Manifestações de comportamento que são inatas ao nascer, como rir, chorar, sugar o leite materno, espreguiçar, espirrar, tossir, sorrir, entre outras, resultam em admiração e apreciação dos pais. Ao nascer, o contato da mãe e seu bebê, fortalece o vínculo afetivo já existente desde a concepção. Esta relação afetiva entre a mãe e o bebê vai nutrir o cognitivo e a aprendizagem da criança nos primeiros anos de vida.

Alguns bebês parecem se sentir bem quando são carregados pelos seus pais, conseguem se aninhar em seus braços, procuram olhar para seus pais, já demonstram de alguma forma uma comunicação ou um gesto de carinho, outros parecem desde o início sentir um incômodo e se ajustam menos ao colo de quem os segura, são extremamente calmos ou extremamente agitados, dormem demais ou dormem muito pouco, emitem poucos balbucios, pouco se interessam ou interagem com o outro, tem uma sensibilidade exagerada nos
sentidos da audição ou visão.

Existem crianças que após o nascimento começam a apresentar algumas dificuldades, ou o seu desenvolvimento acaba sendo diferente de outros bebês. Essas dificuldades nem sempre são observadas pelas pessoas que convivem com ele ou se percebidas, os pais não julgam que estas características possam ser sinal de alguma disfunção no desenvolvimento infantil. Naturalmente, por desconhecerem tal fato. Muitas vezes, o que chama a atenção dos pais é comparar seu filho com outras crianças e perceber que existe algo diferente. Porém, não sabem como lidar com isso e pensam que é apenas um atraso e que logo vai passar ou desenvolver, ou pensam que cada criança tem o seu tempo, mas jamais pensarão que pode ser algo além deste pensamento. Desse modo, gera-se um medo intenso de encarar a realidade ou o desconhecido.

Diferentemente de síndromes genéticas que são possíveis detectar já na gestação ou através de exames, o Transtorno do Espectro do Autismo não, são os pais que primeiramente começam a perceber que tem algo diferente.

A primeira característica que chama a atenção é um atraso na fala, são crianças que verbalizam pouco ou quase nenhuma palavra ou apresentam comportamentos repetitivos ou estereotipados que chamam atenção dos pais e de outras pessoas e assim começa a busca para um diagnóstico.

Estas características percebidas pelos pais, associadas ao histórico da criança e através de observação clínica com uma equipe multidisciplinar, Neuropediatra, Psicóloga, Fonoaudióloga, Psicopedagoga, Terapeuta Ocupacional, entre outros, torna possível verificar a presença de algum transtorno do Neurodesenvolvimento.

Embora o diagnóstico seja difícil de ser aceito, se for precoce, quanto menor a criança, ou seja, a partir dos 18 meses já é possível iniciar avaliação e intervenção. Os ganhos da criança e resultados serão muito mais rápidos e visíveis, mas para isso necessita de um grande envolvimento dos familiares e persistência na busca pelo tratamento. Os resultados demonstram ganhos no desenvolvimento social, cognitivo, comportamental, psicomotor, emocional, entre outras habilidades sensoriais que são alcançados e desenvolvidos, através de uma estimulação direcionada, com uma intensidade diária e equipe multidisciplinar. Assim como treino de habilidade parental, onde os pais aprendem a lidar com as dificuldades de seu filho e são treinados para tal.

No início é muito difícil para os pais perceberem, pois estão envolvidos emocionalmente e acabam não vendo que seu filho pode ser uma criança com necessidades especiais.

Para isto, observem as crianças que apresentam alterações no desenvolvimento infantil que se manifestam nos primeiros meses de vida
(entre os 6 e 36 meses); com prejuízo na interação social (por ex.: não faz contato visual – olho-no-olho, não se aninha, não interage com outras crianças ou adultos); alterações da linguagem (por ex.: desenvolvimento da linguagem atrasado ou ausente, repetição de alguns sons ou expressões verbais de forma ecolálica) e padrões restritos e repetitivos de comportamento (por ex.: adesão a rotinas ou rituais específicos, movimentos estereotipados e repetitivos com as mãos, preocupação com partes de objetos, alinhar brinquedos ou girar parte de objetos, interesse fixo ou restrito a objetos incomuns, hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais). Os sintomas anteriormente citados podem estar associados ao Transtorno do Espectro Autista. (Dados retirados do DSM-5 – Manual diagnóstico e estatística de Transtornos Mentais.).

Por esta razão, é muito importante que os pais busquem ajuda profissional logo no início. Façam uma avaliação precoce, pois quanto mais cedo a criança receber tratamento, melhor será o prognóstico. Finalmente, vale lembrar que há um crescente reconhecimento sobre a importância do tratamento envolver tanto as necessidades da criança, através de intervenções comportamentais e educacionais, como as da família, que tem um papel de extrema importância no tratamento terapêutico.

Tatiana Jansen de Mello Nodari
Psicóloga cognitivo-comportamental
Pós-graduada em Neuropsicologia
Pós-graduada em Psicomotricidade
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